quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Entendendo a massagem



 
Ao contrário do que a grande maioria dos brasileiros pensa, massagem não é meramente um mimo ou uma frescura. Não é algo destinado apenas à classe A; não é uma “esfregação” no corpo que visa unicamente seu relaxamento ou fazer as pessoas dormirem (e mesmo para isso há quem duvide que uma massagem funcione de fato).
Muito da ideia reinante de que massagem serve para o simple relaxamento vem da associação que se faz no Brasil entre massagem e spas. Você pensa em massagem, logo pensa em spa. E spas focam em grande parte relaxamento.
Essa associação é reforçada por propagandas anúncios, filmes, séries e etc. E se você não se importa muito com relaxamento (e muita gente não se importa), por que fazer massagem? Que perda de tempo pagar para ficar deitado, ouvir uma musiquinha chata, sentir um “cheirinho” e ter alguém esfregando seu corpo! Mas esse é somente um lado da massagem. E, infelizmente, é o único que muita gente conhece e que é divulgado e enfocado.

Qual seria o outro lado?

O outro lado seria o de um modo real, comprovado e eficaz de tratamento. De algo complexo que requer estudo, prática e conhecimento apropriado. A massagem sempre fez parte da medicina tradicional de determinadas culturas (como a indiana) e ainda é usada para o fim de tratamentos. A própria massagem sueca, altamente terapêutica, pode amenizar dores musculares, prevenir a evolução de dores existentes ou a formação da dor e mesmo tratar dores. E ainda que tudo isso seja divulgado e abordado em sites sem fim na Internet, permanece a resistência a aceitar a ideia de que isso é sério e verdadeiro. Por quê? Por três fatores:
1) nossa sociedade prefere confiar em medicamentos alopáticos (os de farmácia) para tudo;
2) a permanência do foco em relaxamento e excesso, às vezes, de foco na questão energética, desacreditada por muitos;
3) “sabotagem” por profissionais da área médica.

É fato que muitas pessoas preferem ainda gastar dinheiro com medicamentos que muitas vezes não tratam o problema, mas simplesmente ocultam os sintomas e ainda prejudicam outras partes do corpo ou órgãos, obrigando a pessoa a, em algumas situações, tomar um medicamento para outro medicamento. Vide os que prejudicam o estômago ou o fígado. Não estou aqui para dizer a você que não tome mais remédios. Em alguns casos, eles são, sim, necessários. Cada caso é sempre um caso. A questão é todos os casos serem tratados como o mesmo caso, ou seja, tudo se resolverá com medicamento. E um medicamento que ataca o sintoma, não a causa. Quer dizer, seu problema pode até diminuir, mas acaba voltando. A preferência pelas drogas farmacêuticas deve-se em grande parte ao alívio imediato que elas prometem, mas que nem sempre perdura.
 
Lembrando novamente dos efeitos colaterais que ainda podem existir. Com a massagem, algumas dores (afinal ninguém aqui faz milagre e, como disse, para algumas situações é necessário recorrer à alopatia) são amenizadas e/ou tratadas de maneira natural, ou seja, sem a ingestão de componentes químicos. Puramente por trabalho corporal (aplicação de força e pressão manuais , por exemplo) e, quando necessário, por meio de alguns outros recursos. Mas como acreditar nisso, não é? Como acreditar que mãos e/ou outros recursos, às vezes, naturais podem exercer o mesmo efeito da química contida nos comprimidos? Como, se massagem serve para você dormir? Acredite, a indústria farmacêutica agradece por você se sentir e pensar assim.

O segundo e terceiro pontos, foco em relaxamento e “sabotagem”, estão interligados. Somos bombardeados com imagens de sessões de massagem que ocorrem em salas belamente decoradas e aromatizadas, onde alguém é mostrado deitado em uma maca de olhos fechados dormindo, sorrindo ou expressando relaxamento. Veja bem, não estou dizendo que massagem não relaxa. Ela pode proporcionar um grande relaxamento físico e emocional, mas seu alcance vai muito além disso. Não, não estou me referindo aqui a outros planos, dimensões, corpos e todo este “papo transcendental” que muitas pessoas abominam. Embora esta seja também outra imagem associada à figura do massagista/terapeuta: a de pseudo-guru. Estou me referindo à capacidade de melhora real e, em alguns casos, total de quadros de dor, entre eles os de dor muscular. Mas por que as pessoas relutam em procurar os profissionais da área para isso ou relutam em acreditar nisso? Contrário do que ocorre no Canadá, por exemplo, onde massagistas são profissionais certificados, respeitados e têm liberdade para divulgar seus atendimentos como terapêuticos, aqui no Brasil os massagistas têm até mesmo sua terminologia restringida.
 
Não podemos utilizar algumas palavras em anúncios, folhetos, textos publicitários e etc. porque pertencem ao campo médico. Mas o motivo não é simplesmente esse. O motivo real e implícito é que as pessoas não pensem que somos médicos e, mais importante, deixem de consultar os médicos para se tratarem conosco. Ora, convenhamos que isso é um absurdo. Nenhum massagista profissional pensa que pode substituir um médico e nenhum médico deixará de ter pacientes porque alguns casos podem ser tratados com massagem. Cada um tem seu quinhão. Há patologias que precisam e devem ser tratadas por médicos. Mas as pessoas são ambiciosas.
 
Não se engane: alguns não visam o bem-estar da pessoa atendida, mas sim a possibilidade de ganhar mais dinheiro ao restringir a aplicação de algumas técnicas, como a de acupuntura (que até os anos de 1970 era vista praticamente como xamanismo pelos médicos no Brasil). Ao limitarem a maneira como podemos nos expressar e o que podemos dizer das técnicas com que trabalhamos, que resta, senão enfocar a questão toda no aspecto relaxante? Enfocar no combate ao estresse? Mas o estresse também gera sintomas físicos! O cliente, então, chega para uma massagem e o profissional que o atende fala que além de deixá-lo mais calmo, pode também tratar sua enxaqueca. O cliente sorri, mas no fundo é descrente. Isso até que, como várias outras pessoas, comprova a eficácia da “simples massagem” para a amenização ou eliminação de sua dor.
 
Texto de Rosane Stahl

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