quarta-feira, 13 de abril de 2011

O toque psico-espiritual


O toque possui íntimas ligações com o aspecto emocional do indivíduo. Desde a Fase Intra-Uterina e nos primeiros meses de vida, o bebê tem contato com a mãe, esse contato é, sobretudo, táctil. Por ser um sentido prevalente nos primórdios de nossa existência exerce uma influência muito profunda em nosso psiquismo.

As primeiras impressões agradáveis ou desagradáveis, confortáveis ou dolorosas, que geraram segurança ou ansiedade, foram impressas em grande parte pelos mecanismos sensórios tácteis e proprioceptivos.

Alguns autores psicanalíticos atribuem grande importância às sensações de uma maneira geral. As sensações tácteis apresentam relevada influência nestes registros, ao lado das sensações intra-corpóreas, da respiração, da digestão, etc.

Fisica, psiquica e espiritualmente temos uma necessidade natural de tocar e ser tocado. Quando isto é satisfeito crescemos saudáveis, mas quando fica deficiente, nosso desenvolvimento físico e psíquico fica prejudicado. É sabido que crianças que crescem recebendo carinho, abraços e beijos se desenvolvem bem física e emocionalmente, são mais seguras e confiantes. As que crescem sem esse carinho podem tornar-se tímidas, desconfiadas, inseguras e medrosas.

O artigo sobre estimulação táctil-cinestésica (Fogaca, Carvalho & Verreschi, 2007) confirma a importância do estímulo táctil no desenvolvimento físico, mental e comportamental:

Estudos recentes relatam melhora no desenvolvimento comportamental, mudanças nos parâmetros fisiológicos, e desempenho superior na Escala de Brazelton, além de modificações significativas entre sistema nervoso autônomo e eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal (HHA), que são os mediadores dos efeitos da mesma.

Recente pesquisa revela a atividade neuroendócrina da pele, particularmente, seu papel modulador, ou seja, através de comunicações intersistêmicas ou periféricas, participa da manutenção da homeostase orgânica. As carícias que recebemos na infância nos ajudam a construir uma auto imagem positiva com sentimento de aceitação, de que somos amados. Por outro lado, a ausência desse contato, surras, broncas e humilhações podem trazer sentimentos de rejeição e com isso insegurança e agressividade.

Field (2003, p.20) relata a influência do toque no comportamento, concluindo que em culturas em que há mais toque, a agressão adulta é menor, enquanto que, em culturas em que o toque é limitado, a agressão adulta é maior. Relata ainda sobre a primeira exposição ao toque no momento do nascimento, em que o bebe recebe a primeira palmada:

Uma criança americana pode tornar-se mais ativa e falante, e uma criança japonesa mais passiva e quieta por causa dos tipos diferentes do toque que experimentam de suas mães. Do começo da vida, o tipo do toque que uma criança recebe - se acalmando, suavemente, no caso de infantes japoneses, e um mais abrupto despertar, batendo e dando um tapa, no caso de infantes americanos - pode explicar algumas das diferenças no comportamento mais atrasado das crianças. Por exemplo, as crianças japonesas têm o contato físico constante com seus pais. O relacionamento entre elas é às vezes chamado “skinship” (relação de pele). Por causa desta constante dependência da criança sobre a mãe, a criança torna-se identificada como um membro de um grupo, mais do que uma pessoa independente.

Além da sua forte e profunda influência no psiquismo, o toque sendo um contato pele a pele, produz forte influência espiritual. No momento da massagem o campo energético vital entra em contato íntimo, havendo trocas energéticas. Estas, por sua vez, levam informações conscienciais. Assim, o toque é uma intervenção também a nível espiritual e pode promover mudanças em ambos os participantes (terapeuta e paciente).

Com efeito, deve-se tomar os devidos cuidados para que o toque produza resultados salutares nos níveis psíquico e espiritual. No psíquico, o toque deve ser acolhedor, agradável, carinhoso e prazeroso. Traz paz, confiança, conforto, acolhimento. No espiritual, deve ser com amor universal, doação, espírito elevado. Jamais se deve tocar com sentimentos ou pensamentos negativos (tristeza, raiva, inveja, luxúria etc.).

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