segunda-feira, 24 de março de 2014

Filme 'Blind Massage', do chinês Lou Ye, surpreende na Berlinale



Blind Massage, do diretor chinês Lou Ye, apresentado na competição pelo Urso de Ouro da Berlinale, transporta o espectador para um mundo inesperado, onde a falta do sentido da visão dos protagonistas lembra que algumas coisas existem mesmo que não seja possível vê-las - como o amor.

O filme é uma adaptação do romance Tui Na (Massagem) do conhecido escritor Bi Feiyu, ganhador de muitos prêmios em seu país. A ideia para escrever o livro teria ocorrido durante um apagão na cidade de Nanquim, sul da China.

Bi Feiyu costumava ir a um salão de massagem, onde os funcionários eram cegos. Uma noite, faltou luz. Uma das massagistas o pega, então, pela mão, e o leva até a rua, dizendo-lhe: "você se dá conta, professor Bi, posso ver melhor do que você".

A partir desse momento, lembra que sempre se deve respeitar as limitações, e que os cegos podem penetrar em coisas que pessoas com uma visão normal não são capazes de perceber.

Rodado em Nanquim, Blind massage conta a vida do doutor Wang (Guo Xiaodong), diretor de uma clínica de massagens tradicionais chinesas, e de alguns de seus empregados, como o rebelde Ma (Huang Xuan), desesperado para encontrar o amor.

Uma narradora conta que Ma perdeu a visão quando criança, em um acidente. Sua grande tristeza e sua raiva aumentam à medida que cresce. Na adolescência, tenta o suicídio. Ele começa a mudar e a se sentir melhor apenas quando entra na escola de deficientes visuais e aprende o ofício de massagista. Uma vez, um amigo leva Ma a uma casa de prostitutas, e ele acaba se apaixonando por uma delas.

"Blind massage" capta muito bem a camaradagem que existe entre os funcionários do salão de massagens. Todos se ajudam e são como uma grande família.

Guo Xiandong destacou o trabalho dos atores com deficiência visual, funcionários da clínica. "Os atores cegos são muito autênticos e sinceros. Sua interpretação sai do coração", elogiou.

Zhang Lei, artista cego, falou de sua felicidade por ter trabalhado no longa. "Foi algo único, uma ocasião rara, interpretar nossas próprias vidas", afirmou.

Os cegos "não veem as coisas, mas essas coisas existem. E, para nós, é a mesma coisa. Há coisas que não vemos, mas que existem", acrescentou o diretor Lou Ye.

Guo Xiaodong revelou que atuar no filme o fez apreciar melhor o que tem. "Todos nós sentíamos uma responsabilidade social, um grande sentimento de amor. Era como uma grande família", contou o ator.



Deficientes visuais que precisem de formação o Instituto Ricco Porto está com desconto no curso.

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