quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Massagem cicatricial

                   
A massagem cicatricial consiste no uso de manobras que mobilizam o tecido superficial em relação ao profundo com intuito de prevenir a formação de cicatrizes hipertróficas e queloideanas e também para tratá-las. São movimentos breves e localizados realizados pelas pontas dos dedos em direção circular ou transversal. As fricções devem ser efetuadas lentamente, com um ritmo uniforme e movimentos profundos, sem o uso de nenhum lubrificante. O tratamento pode se prolongar por 5 a 20 minutos em cada sessão e poderá ser repetido duas ou três vezes por semana, por quanto tempo for necessário (Cassar, 201).

Podem ser utilizadas de forma suave durante as fases iniciais de cicatrização para evitar a formação de aderências que comprometam a estética e a função do tecido envolvido. Cicatrizes antigas e mais aderentes necessitam de manobras mais profundas e com maior pressão, que envolvam o pinçamento da pele e proporcionem maior mobilidade tecidual (Cassar, 2001).

Mobilização Da Prótese

As mamoplastias de aumento que se utilizam de próteses de silicone lisas ou texturizadas necessitam de mobilização da mama para prevenção e tratamento de contraturas capsulares.

A mobilização deve ser iniciada precocemente entre o quinto e o décimo dia após a cirurgia e deve ser realizada diariamente por seis meses. Após a alta da assistência pós-operatória, a paciente deve ser orientada de como deve proceder para continuar a mobilização da mama em casa.

Devem ser realizados, de forma suave e cautelosa, movimentos para cima e para baixo, para os lados e circulares. Quando as próteses são de poliuretano, não há a necessidade de mobilização, uma vez que o risco de contraturas capsulares é muito reduzido.

Estimulação Do Complexo Aréolo-Papilar

Após a realização de mamoplastias, sobretudo sobre via areolar, podem ocorrer alterações de sensibilidade erógena e sensitiva tardia do complexo aréolo-papilar. É uma condição rara, geralmente presente em mamoplastias redutoras que apresentam comprometimento vascular associado ou quantidade significativa de tecido mamário retirado (Arquero, 2010).

O trabalho consiste na sensibilização da aréola e da papila através de movimentos rotatórios e leves pinçamentos, que deve ser iniciado após a retirada dos pontos de sutura. Também podem ser utilizados materiais de consistências diversas como algodão, gases, pincéis para estimular o local (Arquero, 2010).

Eletroterapia

A eletroterapia consiste no uso de correntes elétricas com finalidades terapêuticas específicas. No período pós-operatório de mamoplastias pode ser indicado o uso de correntes analgésicas (eletroanalgesia) como a estimulação elétrica nervosa transcutânea e a corrente interferencial e o uso das micro correntes para acelerar o processo de reparo tecidual (Guirro e Guirro, 2004).

Eletroanalgesia
Utilização de correntes elétricas como recurso terapêutico para o controle da dor. Promove analgesia através da melhora da circulação local e ativação do sistema supressor de dor. São utilizados aparelhos geradores de correntes elétricas e eletrodos condutores aplicados nos locais afetados. Pode-se utilizar a eletroanalgesia próximo do local operado, nos dermátomos correspondentes ao local da dor e em áreas distantes que se apresentem tensas e contraturadas pelo posicionamento estático, como coluna cervical, lombar e pescoço.

As correntes mais comumente utilizadas para analgesia são a TENS (estimulação elétrica nervosa transcutânea) e a corrente interferencial.

A TENS é uma corrente de baixa frequência (2 a 200Hz) com propriedades analgésicas. Seus impulsos elétricos estimulam as fibras mecanorreceptoras e reduzem a percepção dolorosa. Na dor aguda de quadros pós-operatórios, normalmente a frequência usada varia entre 100 e 200 Hz e o tempo de aplicação é de cerca de 30 minutos.

A corrente interferencial é uma corrente de média frequência (4.000 Hz) que alivia a dor mediante a produção de um bloqueio periférico da atividade nas fibras nervosas portadoras de impulsos nocivos. A escolha da frequência depende da natureza, estágio e gravidade do problema. Frequências altas (75 Hz a 200 Hz) são aconselháveis para disfunções agudas como quadros pós-operatórios e dor intensa (Ibramed, 2010).

Microcorrentes (MENS)

Tipo de eletroestimulação que utiliza correntes contínuas ou alternadas com intensidade na faixa dos microamperes. Sua estimulação ocorre em níveis em que não se consegue ativar as fibras nervosas sensoriais, portanto, o paciente não tem percepção da sensação de formigamento comum a outros tipos de correntes elétricas. O plano de atuação das micro correntes é profundo, podendo atingir um nível muscular, e apresenta-se com imediata atuação no plano cutâneo e subcutâneo (Starkey, 2001).

Entre os efeitos fisiológicos da terapia por micro corrente estão: analgesia, aceleração do processo de reparo tecidual e cicatrização, poder anti-inflamatório, restabelecimento da homeostase tecidual, aumento da síntese de proteínas e diminuição de edemas teciduais (Starkey, 2001).

São indicadas para o pós-operatório de mamoplastias frequências de aplicação com intensidade entre 80 e 100 Hz. A intensidade de aplicação deve ser fixada na posição confortável mais alta, que normalmente é cerca de 500 – 600 microamperes, por aproximadamente 15 minutos. Os efeitos das micro correntes são cumulativos, embora resultados benéficos possam ser vistos ainda nas primeiras sessões (Starkey, 2001).

Normalmente utiliza-se na mama eletrodos do tipo sonda (bastonetes) em toda a extensão da cicatriz e da área edemaciada.

Os eletrodos devem ser posicionados em X ao redor dos tecidos envolvidos. O primeiro pulso de tratamento pode ter uma sonda posicionada no quadrante superior esquerdo e a sonda oposta, no quadrante inferior direito, em relação ao local da lesão. No próximo pulso, as sondas são invertidas de posição. O tratamento deve progredir desse modo, com as sondas sendo giradas ao redor dos tecidos-alvo, em direções e distâncias variáveis, incluindo as posições medial-lateral e anteroposterior (Starkey, 2001).

2 comentários:

  1. Fala William!

    Legal esse seu blog, particularmente nunca tinha ouvido falar sobre a cicatricial, me parece bem interessante, vou acompanhar mais o seu trabalho. Abraço!

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