domingo, 18 de agosto de 2013

Massagem infantil


Os pais estão cada vez mais interessados em tomar parte ativa nos cuidados e na criação dos filhos quando ainda bebés. A imagem do pai desajeitado e assustado que entrega o bebé aos cuidados da mãe até ele ter uma idade mais divertida, está deixar ser uma regra geral para ser uma excepção.

Apesar da vontade em participar dos cuidados com o bebé desde o início, os novos pais deparam-se com problemas de logística. O tempo do pai, geralmente, está limitado às noites e finais de semana. Frequentemente, ele está cansado do trabalho e deve enfrentar ainda a tensão de cuidar da manutenção da casa e suportar pressões financeiras crescentes.

Nas primeiras semanas depois do parto, a mulher pode estar cansada no fim do dia e o bebé, rabugento. Um pai já tem dificuldades em arranjar tempo para si próprio e pode parecer distante nas ocasiões em que mãe e o bebé gostariam e precisariam da reacção oposta. Evidentemente, a mulher enfrenta os mesmos problemas, acrescidos da responsabilidade, às vezes esmagadora, de cuidar do bebé durante as 24 horas do dia.

Essa falta de tempo, aliada à falta de um comportamento “maternal” adquirido, dá aos pais duas barreiras muito grandes, mas de modo algum insuperáveis, para que eles aprendam a cuidar dos filhos com carinho e delicadeza. Porque a maioria dos homens não foi educado como as mulheres no que se refere à relação com os bebés, os pais podem precisar de ajuda especial e de estímulo no começo.

O psicólogo e instrutor de massagem infantil, Tom Daly, comenta: “No processo de aplicar a massagem, os pais ficam a conhecer os filhos de uma forma extraordinária; eles ligam-se a uma parte profunda da criança, e a uma parte profunda deles mesmos – o lado maternal. De modo geral os meninos são condicionados a reprimir essa parte por volta dos nove anos de idade, mas trabalhar dessa forma com os bebés reabre esse antigo espaço. Os papás descobrem que são excelentes” mães “ e isso acontece numa relação segura onde a sua masculinidade não se sente comprometida.”

Ele observou também que as crianças tinham maior autoconfiança e exibiam maior criatividade quando os seus pais lhes davam atenção extra. “Os homens e a masculinidade estão a mudar”, diz ele. “É preciso continuar a ver os pais seriamente envolvidos no processo de criação dos seus filhos. A massagem do bebé é uma oportunidade de ouro para ajudar nessa transformação. O mundo fica a ser um lugar melhor de cada vez que um bebé é massajado, e os homens precisam tomar parte nesse processo.”

A massagem é um excelente instrumento para o pai que deseja ter um vínculo inteiro e sadio com o filho. As pesquisas indicam que os bebés se ligam a ambos os progenitores durante o primeiro ano de vida. A massagem regular é uma oportunidade para o pai ter um contacto mais prolongado com seu filho recém-nascido, fortalecendo assim essa ligação mútua. 

As crianças beneficiam-se enormemente com essa interacção afectiva tanto com a mãe quanto com o pai. “Uma relação afectuosa entre pai e filho pode fortalecer o desenvolvimento masculino de um menino”, diz o Dr. Michel Lamb, autor de The Role of the Father in Child Development. “O comportamento do pai que cuida do seu filho é mais frequentemente associado à afeição e ao elogio, e adquire maior valor de recompensa. Assim, um menino cujo pai se ocupa de sua educação tem um incentivo maior para imitar o pai do que um menino cujo pai não tem esse comportamento.” As meninas, também, precisam desenvolver vínculos sadios com os pais. O Berkeley Longitudinal Study indicou que as mulheres mais saudáveis e bem ajustadas quando adultas tinham crescido em lares onde ambos os pais eram amorosos e carinhosos. (...) A massagem é uma experiência de qualidade para ambos, da qual pai e filho se beneficiam imensamente. 

O processo mais importante que resulta da massagem regular é a formação do vínculo entre pai e filho recém-nascido. Assim como a amamentação no seio proporciona um reforço consistente no processo de formação de vínculo para as mães, com os afagos, o contacto de pele e a comunicação face a face, também massajar o bebé pode manter o pai literalmente em contacto com seu filho (...).

Como pai recente, você poderá ter de usar alguma criatividade para estruturar o seu tempo e poder dispor dos vinte ou trinta minutos necessários para massajar seu bebé. O melhor momento, terá de ser encontrado por si, mas será certamente quando você poder relaxar sem, pressa. Depois de aprender as técnicas básicas com sua mulher, ou num curso, você deveria ficar sozinho com seu bebé para a massagem. No começo, proceda com muita delicadeza, e poderá massajar apenas as pernas ou as costas. Você poderá ter a sensação de ser forte demais, das suas mãos grandes demais ou ásperas, ou de ser muito inexperiente para massajar o seu bebé. Quase todas as pessoas ficam um pouco desajeitadas ou nervosas no princípio. Comece por colocar delicadamente as mãos sobre as costas do bebé, sentindo o relaxamento e o amor fluindo das suas mãos para o seu bebé. De início, você não precisa mover as mãos, basta sentir a ligação entre você e seu filho, concentrar-se em relaxar o corpo e deixar seu amor fluir para ele. Quando se sentir mais à vontade, pode começar uma massagem simples, parando de vez em quando apenas para segurar o bebé e relaxar. Fale ou cante suavemente, estabeleça contacto visual quando o bebé estiver preparado e, de modo geral, siga os ritmos de comunicação com o bebé. À medida que o tempo passar e seu bebé estiver mais acostumado ao seu toque, você poderá demorar mais tempo e ir para outras partes do corpo, desenvolvendo suas próprias técnicas especiais de massagem (...).” 

* Texto retirado do livro Massagem Infantil: um guia para pais carinhosos.2ª ed – rio de Janeiro: Record,1997.

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